*Diario de bordo: Impressões surrealistas de uma navegante em terra firme.
Dias, noites, tardes... mar sem fim. Foram dias tumultuados, de ondas bravas, tempestades, pouco sol e a promessa de terra firme que nao se concretizava no meu horizonte. Tive fé. Rezei e chorei lágrimas de uma esperança de ter sobre minha pele água doce novamente. Avistei corpos nus no horizonte. Minha nau teria finalmente um porto e aqui cheguei. Senti dores fortes pelo tempo de desconforto em alto mar, mas uma paz e um agradecimento profundo de ter terras firmes nos pés novamente e a certeza de que o sol chegaria em algum momento. Sinto saudade, perdi coisas muito preciosas no meio das turbulências maritimas. Meu navio quase afundou diversas vezes e me senti pequena diante dos inumeros alagamentos que quase puseram fim nos meus sonhos. Fui posta em cheque diversas vezes. Amadureci em todas elas, inclusive nas horas que achei que não tinha forças e quase desisti. Chego agora aqui, não é a India e muito menos algo proximo disso. Mas são terras lindas, de uma juventude e natureza revigorante. Agora, cuido dos machucados deixados pelo tempo a bordo e tento descansar um pouco a mente e o coração. Tenho dúvidas, sinto saudades das doces promessas que fiz antes de partir e que se esvaíram no caminho. Mas com a certeza de que existe um destino, e este se sobrepoem a tudo e a todos. E como Ulisses, consegui atravessar o oceano apesar das tentações. Á cá estou, por hora desejo apenas que o amor profundo tome conta dos meus dias.
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